Hakeando o pensamento… think it Lean!

Outro dia eu vi numa empresa, não muito distante, uma reunião… o gerente de RH, responsável pelo processo de treinamento corporativo, chamou um grupo que havia organizado um evento, para “conversar”. O evento, para compartilhar experiências, fora concebido de forma natural e orgânica, com participação e organização voluntária, muitas coisas deram errado, outras não, mas ao final as pessoas que participaram adoraram… o ambiente informal, a troca verdadeira de conhecimento que foi produzida, tudo feito com muita verdade e com o envolvimento de todos.

Mas algo estava errado. O gestor responsável pelos treinamentos não havia sido envolvido. “Mas eu nem sabia que isso era um treinamento…” dizia um dos organizadores do evento. Ninguém sabia, mas alguém tinha certeza que era e que não tinha passado pelo processo de avaliação e produção formal de treinamentos e que não poderia ter acontecido, já que não estava à altura dos padrões desta organização.

Não vou me alongar nessa narrativa, tirem suas próprias conclusões e compartilhem aqui se acharem interessante.

O gancho serve para ilustrar inúmeras situações que presenciamos no dia-a-dia, que evidenciam essa nossa necessidade de ter o controle sobre tudo e de alguma forma achar que podemos simplificar e achar fórmulas mágicas para tudo.

Recomendo um vídeo fantástico de Tim Harford, que explica no seu estudo este fenômeno, ao qual ele dá o nome de “O complexo de deus”, ou em inglês “The god complex”.

Harfgord mostra o quanto precisamos estar prontos para errar e aceitar o erro como algo natural no processo de desenvolvimento e solução de problemas, principalmente os complexos.

Eu acredito que quando aceitamos esta limitação e o erro como algo inerente do processo de aprendizado, crescemos muito e conseguimos dar passos muito mais consistentes. A crença de que o controle e o planejamento detalhado é o melhor caminho para evitar o fracasso, limita a nossa visão de possibilidades, aprisiona a criatividade, nos impede de dar passos importantes e inibe a capacidade de inovação.

Hoje, a inovação é muitas vezes fruto de um ato “subversivo”. Harford bem cita, que se todos aceitam que o erro é algo importante no processo evolutivo, porque os professores nas escolas não aceitam o fato que não têm respostas para muitas das questões, e se expõem a isso de forma transparente? Porque os políticos em suas campanhas não assumem o fato de que não tem a solução para a maioria dos problemas que vão precisar encarar, mas que tem algumas boas ideias que precisam ser testadas? Nós como sociedade não convivemos de forma tranquila com essa vulnerabilidade. E, quando aceitarmos, de fato, não precisaremos mais ser “subversivos”.